quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Eutanásia - Um direito ou uma escolha?

Direito à morte com dignidade; Violação dos direitos humanos e Violência Doméstica, são três de muitos outros, temas, que me preocupam e chocam com os quais sou confrontada diariamente e penso é necessário reflectir se pretendermos contribuir para um mundo mais humanizado e onde verifico que o respeito pelo homem não evoluí á mesma velocidade que a tecnologia vai progredindo.
A Eutanásia – processo pelo qual se põe termo à vida com ajuda médica assistida. Foi a Holanda a tornar-se no primeiro país a legalizar a eutanásia. O tema da eutanásia é dos temas mais difíceis de comentar.
Que fazer quando temos alguém que nos é muito querido com uma doença terminal, que sabemos lhe traz um sofrimento constante e que já nada, medicamente e cientificamente pode ser feito para atingir a sua cura? Parar o tratamento? Esta seria talvez a atitude que eu própria tomaria, para comigo mesma se fosse confrontada com uma doença incurável. Lutaria, para a combater, mas no dia em que tomasse consciência de que já nada podia ser feito Eu própria negaria qualquer outro tratamento. Será ou não esta, uma forma de praticar a Eutanásia?
Falando de doentes incuráveis, sou de opinião que apostar nos cuidados paliativos, seja talvez a forma de os ajudar e não partimos assim para uma atitude tão radical como é a eutanásia.
No entanto sou de opinião que recorrer à Eutanásia é uma escolha de cada um, que devemos aceitar e respeitar.
Cuidados Paliativos. Soube e pude constatar o que são cuidados paliativos, muito recentemente ao acompanhar a Ana Cristina na fase terminal da sua doença.
Fui testemunha da humanidade, carinho, profissionalismo com que qualquer dos profissionais da Unidade de Cuidados Paliativos do Instituto de Oncologia do Porto, acolhem, tratam e cuidam quer do doente, quer dos familiares e amigos que ali estão. Nestas unidades trabalha-se para anular o sofrimento físico a um doente, na sua fase terminal, mas não fica de parte o carinho e até a forma como o doente é tratado, nunca deixando de parte a dignidade do doente, ainda conseguem transmitir força aos seus familiares e amigos que o acompanham
Encontrei em www.portaldasaude.pt – a seguinte definição: Os cuidados paliativos constituem uma resposta organizada do Serviço Nacional de Saúde à necessidade de tratar, cuidar e apoiar activamente doentes na fase final da vida.
O que são cuidados paliativos?
São cuidados prestados a doentes em situação de intenso sofrimento decorrente de doença incurável em fase avançada e rapidamente progressiva. O objectivo consiste em promover, tanto quanto possível e até ao fim, o bem-estar e a qualidade de vida destes doentes.
Os cuidados paliativos são cuidados activos, coordenados e globais, que incluem o apoio à família, prestados por equipas e unidades específicas de cuidados paliativos, em internamento ou no domicílio, segundo níveis de diferenciação.
Os cuidados paliativos têm como componentes essenciais o alívio dos sintomas, o apoio psicológico, espiritual e emocional do doente, o apoio à família e o apoio durante o luto, o que implica o envolvimento de uma equipa interdisciplinar de estruturas diferenciadas.
Para saber mais, consulte o Programa Nacional de Cuidados Paliativos - Adobe Acrobat - 475 Kb, que foi aprovado a 15 de Junho de 2004.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Abertura Moral

Que poderemos dizer sobre abertura moral nos dias que correm? Comentem esta reflexão.


São as situações mais difíceis em que tantas vezes tropeçamos ou com que simplesmente somos confrontados ao assistir a pequenos desentendimentos, que sobem a palco, próximo de nós, que nos vão ensinando a reagir, a modificar e principalmente a reflectir.Reflectir, sobre a reacção que tivemos, as palavras que não dissemos e gostaríamos de ter dito e as palavras que dissemos e que após proferidas gostaríamos de nunca as ter proferido conduz-nos a uma maior maturidade face às situações mais complicadas.Momentos que não deixamos repetir, pois com eles enriquecemos o nosso auto-controle verificando o quanto fomos injustos, muitas vezes porque apenas discordámos da opinião daqueles com quem nos confrontamos.“Não Julgues para não seres Julgado” – aqui temos uma frase que bem estudada e depois de uma boa reflexão nos conduzirá a respeitar tudo e todos mesmo que a nossa opinião seja diferente.Saber escutar é uma virtude, dizem alguns, outros dirão que faz parte do carácter de cada um. Penso que é também algo que se aprende. E aprende-se respeitando e aceitando os outros tal e qual eles são.Trabalho numa empresa com 1.500 trabalhadores. Convivo com pessoas de origens sociais e culturais muito diferentes o que me permite estabelecer comigo mesma uma constante melhoria na compreensão dos fenómenos das relações humanas. A todos respeito da mesma forma independentemente da sua categoria. Não consigo compreender aqueles que levianamente criticam e põem de lado os que são diferentes ou simplesmente pensam de forma diferente.

Esta é a minha grande dificuldade no viver em Sociedade. Não me coloco, nem vivo à sua margem mas convivo nas minhas relações mais pessoais apenas com aqueles que partilham da mesma postura perante os outros. Não tenho inimigos, tenho amigos com quem nem sempre concordo. E se hoje assim sou, foi a longa caminhada que até hoje percorri, recheada de momentos em que fui confrontada com questões de grande relevância mas também com situações de grande desgaste emocional que fizeram de mim uma pessoa mais positiva e mais paciente. Sim porque se aos outros transmito calma, força e positivismo, Nem Sempre Fui Assim.“Nada é bom ou mau”, disse Shakespeare, “nosso pensamento é que o faz.” – Realmente cada um de nós pode ter uma opinião, uma resposta, uma reacção diferente quando confrontado com determinada situação. O nosso pensamento determinará se é bom ou mau. A escolha dependerá sem dúvida dos nossos princípios e da nossa educação. Mas a abertura moral a tudo e a todos suponho que será sem dúvida a chave do sucesso para o relacionamento com os outros.Mas nem tudo são rosas e as situações problemáticas também fazem questão de subir a palco. A azáfama dos dias de hoje que se transformaram numa luta desigual pela sobrevivência faz-nos por vezes esquecer todos os saberes que fomos adquirindo ao longo da vida. A grande sabedoria está sem dúvida em saber gerir todos estes ingredientes. Não tenho para contar nenhum episódio que recorde menos agradável a que tenha estado exposta enquanto profissional. Os meus colegas respeitam-me e sinto da sua parte um carinho, respeito e admiração que lhes agradeço.Se não tenho para contar nenhum episódio menos agradável, com os quais tenha sido confrontada, não é porque não tenham existido, mas sim porque os soubemos resolver de imediato, dialogando sem imposições e com uma boa dose de compreensão e respeito assim foram “consumidos”.